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 Brasília, sábado, 13 de junho de 2009
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L2 - Literatura & leituras

Sérgio de Sá
sergio.sa@terra.com.br



“A literatura produz leitores, os grandes textos são os que fazem mudar o modo de ler”
Ricardo Piglia (1940), escritor argentino


Justiça
Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 27/3/05
 

O assunto que dominou os blogues literários da semana não foi a decisão da Petrobras de extinguir o furo jornalístico ou desinstitucionalizar a imprensa, mas o processo por danos morais que a escritora gaúcha Leticia Wierzchowski (foto) decidiu mover contra o blogueiro Milton Ribeiro, que comentou de maneira bastante ácida texto assinado por ela no jornal Zero Hora. Com duvidoso gosto, Ribeiro reescreveu o sobrenome da autora de A casa das sete mulheres (pouparei os leitores de repeti-lo aqui). Minha opinião é simples: percam tempo com coisas sérias e levem-se menos a sério. O mundo terá mais chances de ser divertido.

J.D. Salinger também esteve em voga na blogosfera por decidir processar a editora sueca Nicotext, que anunciou a publicação de 60 years later: coming through the rye, uma continuação do excepcional O apanhador no campo de centeio assinada por um sujeito de pseudônimo John David California. A pergunta básica do livro: o que teria acontecido a Holden Caulfield após os eventos narrados por Salinger e quando ele chega à velhice? Ou os advogados querem sempre se dar bem e manter o nome do escritor na mídia ou Salinger é mesmo um chato de galocha, recluso e impertinente. No Brasil, seria parecido à família de Graciliano Ramos querer processar Silviano Santiago pelo romance Em liberdade. Disparate.


Máquina precária

Em tempos de obscurantismo (blog da Petrobras, caso Galeno etc.), nada melhor do que poesia para um bom desaparecimento. Ler e esquecer que o mundo anda complicado e cheio de gente com propósitos estranhos. Não é única, mas é uma função. Pensando no capitalista Dia dos Namorados (ontem), vou aos finalistas do Prêmio Portugal Telecom ainda não lidos para pinçar da estante o volume A fábrica do feminino, de Paula Glenadel.

O gênero da fábrica é cultural. Produz o feminino. Inventa e publiciza os lugares-comuns, os clichês. Glenadel muda a ordem dos fatores para alterar o resultado. Androides masculinos e femininos, diz a poeta, habitam a cidade dos homens e a cidade fantasma. O livro entra na fábrica e depois percorre essas duas cidades onde a fala (e o falo) pronuncia o produto.

Glenadel fabrica novos sentidos. Mas não pensem em androfobia. O feminismo da poeta não se deixa contaminar pela aversão. No poema intitulado “Três”, ladeado pelo perfil de uma Barbie pleonasticamente narcísica, a indeterminação: “No museu de cera e cultura/ um vândalo um dia talvez corte/ a cabeça do homem no escritório/ degole a dona-de-casa/ sobre o seu fogão/ jogue fora o bebê/ com a água do banho”.

A indústria urbana do sexo tenta padronizar os papéis. A linguagem da poesia é útil para que o espelho estilhace o que se espera do comportamento: “parcelando plásticas/ mastigando críticas/ maquinando máscaras/ maquiando cílios”. O gerúndio constata as obrigações do presente para todas, apenas para que cada uma encontre a sua própria imagem e semelhança.

Como encontrar o sujeito na mulher-objeto? Por que o feminino se sujeita aos estereótipos? Por que ele e ela se deixam atropelar pelas máquinas automóveis? Por que não constroem (na fábrica da fala, na vocação da voz) uma cidade nova em que o anonimato do feminino se transforma na fama da identidade? Ler os poemas de A fábrica do feminino é colocar a pulga atrás da orelha (existe o pulga?).


Mínimas

  • No site do francês Libération (www.liberation.fr/culture), o leitor ouve os críticos discutindo sobre as resenhas que escreveram para o suplemento de literatura do jornal, numa demonstração clara da vontade de renovar o espaço público literário.

  • Uma primeira edição (de 1922) do romance Ulysses, do irlandês James Joyce, foi vendida na semana passada, em Londres, por 275 mil libras, aproximadamente R$ 870 mil.

  • Atenção ao quarto número da versão brasileira da Granta. Reunidos sob o tema geral “ambição”, a revista traz textos de Sérgio Sant’Anna, Joyce Carol Oates, Haruki Murakami, entre outros.


  • Agenda positiva

  • Graça Ramos lança na próxima quinta-feira, dia 18, Maria Martins – escultora dos trópicos. Na livraria Dom Quixote do CCBB, a partir das 19h30.

  • Também na quinta-feira, André Giusti lança o livro de contos A liberdade é amarela e conversível. No T-Bone (312 Norte), a partir das 19h.




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    Editor: Carlos Marcelo //
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